sábado, 24 de outubro de 2009

24 de outubro de 2009.
Dia em que o Gigante adormecido pode, enfim, acordar.
Sentei aqui para escrever algo sobre a volta do Vasco à primeira de divisão, mas não sei direito como vou começar isso.

Na verdade, acho mais fácil falar de amor. Ou então do que amor faz a gente fazer...Nenhum vascaíno ficou bem com o final do ano de 2008. O dia 7 de dezembro do ano que passou ficará marcado na mente de todos os verdadeiramente apaixonados pelo clube. Rebaixamento era algo que eu pensava que jamais fosse presenciar. Mas eu vi. Estava lá como tantos outros. Parecia o inferno sem fim - e talvez o inferno seja até menos doloroso! Fou cruel demais ver aqueles tantos torcedores chorarem. Lágrimas de dor, de um sentimento de decepção. Afinal, como ficaria nossa história? Uma das mais bonitas histórias de um clube no mundo, agora ganharia uma mancha também eterna. O que faezer nesse momento? Eu, particularmente, não consegui fazer nada. Chorei, chorei e chorei. Queria sair de São Januário, ao mesmo tempo que queria ficar, talvez por não acreditar que tudo aquilo fosse verdade. Mas o fato estava ali, diante de todos nós, que mesmo tendo a quase certeza de um trágico final, não abandonamos nosso amor maior. E assim chegou 2009. Campeonato Carioca. Que dura tarefa seria enfrentar nossos adversários e ouvir, pela primeira - e última, se Deus quiser- vez, o corinho: - Ão, ão, ão, segunda divisão!
Cheguei a pensar em não ir aos jogos, mas que torcedora seria eu se fizesse isso? Nós, que enfrentamos todos os preconceitos possíveis, lutamos contra tudo e contra todos, tínhamos que honrar a tradição e encarar o que houvesse de cabeça erguida. E o campeonato se encaminhava, íamos bem, até manipularem um terrível golpe que nos tirou 6 pontos e, consequentemente, nos tirou da disputa. Engraçado precisarem desses artifícios com um clube "de segunda", mas foi o que aconteceu. Veio a Copa do Brasil. E novamente, o time dos negros e operários, dos excluídos e rejeitados, voltou a dar trabalho. Contra o Corinthians, pela fase semifinal, um árbitro (?), que não me darei ao trabalho de citar nome, não viu um pênalti legítimo e gol que precisávamos para a classificação não saiu. Fomos prejudicados. Mas quem liga? Agora somos inferiores.
E o time inferior se mostrou grande quando, num jogo festivo, em comemoração ao aniversário de 111 anos, assinalou o maior público das 4 divisões do Campeonato Brasileiro no ano e o maior público de todas as edições da Série B. Mas isso tudo SOZINHO, sem ajuda de outro time em clássico ou ingressinho mais barato. Porque nossa torcida ama muito a camisa que traz no peito a Cruz de Malta e não tem vergonha do momento atual. Se o time está mal, somos completamente capazes de fazê-lo levantar, de não deixar faltar apoio em hipótese alguma. Somos superiores a qualquer coisa e entedemos o recado. Se o sentimento não pode parar, aqui estamos para fazê-lo crescer ainda mais. E se antes eu amava o Clube de Regatas Vasco da Gama, hoje amo com mais intensidade, mais fervor. Cada jogo foi uma batalha difícil, desde o início. A dor que apertava o peito ao não ver os grandes e tradicionais adversários, se transformou em alívio na data que vos escrevo. Voltamos, e dessa vez, pra nunca mais sair do nosso verdadeiro lugar. Como dizem, "um gigante nunca tomba, ele adormece para acordar ainda mais forte". Adormecemos, sim. Mas nossa maravilhosa torcida fez o Gigante da Colina acordar, ser um time brigador e jogar com vontade. Se em algum momento faltou o ar para gritar, faltou entusiasmo para torcer, o dia hoje é de festejar. E fazer tudo isso em dobro. Mas engana-se quem pensa que comemorarei um eventual título. Isso não. Preferia que isso JAMAIS tivesse acontecido. Comemorarei o término de uma angústia que fez um ano parecer uma eternidade.
Obrigada, meu Vasco, por existir!

"A tua história traz orgulho a quem te ama. Já nasci Vasco da Gama, pra SEMPRE vou te AMAR..."